Tintas Verginia é certificada Empresa B

Poucas certificações empresariais exigem tanto quanto o selo Empresa B. Criado em 2006 nos Estados Unidos pelo B Lab, organização sem fins lucrativos, o reconhe...

Tintas Verginia é certificada Empresa B
Tintas Verginia é certificada Empresa B (Foto: Reprodução)


Poucas certificações empresariais exigem tanto quanto o selo Empresa B. Criado em 2006 nos Estados Unidos pelo B Lab, organização sem fins lucrativos, o reconhecimento avalia governança, trabalhadores, comunidade, clientes e meio ambiente por meio de um questionário de cerca de 200 perguntas. Cada resposta precisa ser sustentada por evidência documental, verificada por uma equipe própria da organização. A pontuação vai de zero a 200, e a empresa só entra no radar da certificação se ultrapassar os 80 pontos. Esse é apenas o começo. Também é preciso alterar o estatuto social para formalizar, na governança, o compromisso com todos os públicos impactados pelo negócio, somando ao resultado financeiro a responsabilidade com pessoas, comunidades e meio ambiente. Passados quase vinte anos da criação do selo, o Brasil soma pouco mais de 500 empresas certificadas, em um universo de milhões de negócios ativos no país. Uma delas é paranaense. A Tintas Verginia nasceu há 35 anos como revenda multimarcas e, com o tempo, desenvolveu fabricação própria de tintas, complementos de pintura e acessórios. Em 2026, conquistou a Certificação B e passou a integrar o grupo ainda restrito de companhias reconhecidas como Empresa B pelo B Lab. "Durante muito tempo, algumas dessas práticas existiam porque acreditávamos que eram importantes, mas nem sempre estavam estruturadas como processos ou acompanhadas por indicadores. A certificação nos provocou a dar um passo além, transformar intenção em gestão, medir o que fazemos e criar mecanismos para acompanhar se estamos, de fato, evoluindo", explica Nicholas Rosa, gerente de Recursos Humanos da Tintas Verginia. O rigor da avaliação O rigor do processo ajuda a explicar por que o número de empresas certificadas ainda é pequeno diante do total de negócios em operação no país. Preencher o questionário é só a primeira etapa. Cada afirmação precisa ser comprovada com documentos, políticas e indicadores reais, que são revisados por analistas do B Lab antes da aprovação. Para empresas de médio porte, o desafio costuma ser ainda maior. Muitas vezes é preciso estruturar áreas, rotinas e registros que até então não existiam de forma organizada. A alteração estatutária exigida pelo selo dá segurança jurídica ao compromisso. Com ela, as decisões dos administradores passam a considerar formalmente os impactos sobre colaboradores, fornecedores, comunidade e meio ambiente. Esse compromisso permanece mesmo diante de mudanças de gestão ou de controle da empresa. No Brasil, o movimento é representado pelo Sistema B, que reúne as empresas certificadas e articula iniciativas para ampliar a adoção de práticas de impacto socioambiental no ambiente de negócios. A proposta do selo é medir, com a mesma seriedade aplicada aos resultados financeiros, os efeitos que uma empresa gera sobre as pessoas e o planeta. A certificação também não é vitalícia. Ela precisa ser renovada periodicamente, o que obriga a empresa a manter, e idealmente evoluir, as práticas que a levaram até ali. Em 2026, os critérios globais do B Lab ficaram ainda mais exigentes. O modelo anterior, baseado principalmente em pontuação, foi substituído por uma estrutura de requisitos obrigatórios distribuídos em sete áreas de impacto socioambiental e de governança, com metas progressivas ao longo dos próximos anos. Entre os temas contemplados pelo novo padrão estão: propósito e governança voltada às partes interessadas; trabalho justo; diversidade e inclusão; direitos humanos; ação climática; gestão ambiental e circularidade; atuação da empresa em temas de interesse coletivo. Com a mudança, fica mais difícil compensar um desempenho fraco em uma área com pontos obtidos em outra, já que cada frente passa a ter exigências mínimas próprias. Foi dentro desse cenário mais rigoroso que a Tintas Verginia passou pela avaliação. Para chegar à Certificação B, precisou apresentar evidências de como critérios sociais, ambientais e de governança estão incorporados à sua gestão. O trabalho cobriu diferentes dimensões da operação, com políticas, processos e indicadores capazes de demonstrar que esses compromissos fazem parte da rotina da empresa e estão refletidos em decisões concretas. A jornada da Tintas Verginia Antes de qualquer indicador, o processo começou pelas pessoas. "O primeiro passo foi contextualizar e sensibilizar as pessoas sobre o que estávamos fazendo e por quê. Fomos buscar inspiração em grandes empresas, como a Natura: visitamos pessoalmente a fábrica e o centro de distribuição para conhecer as ações práticas que elas já tinham implementado. Levei parte da nossa equipe nessas visitas, gente do RH, da produção, da logística, para que vissem tudo de perto", relata Eduardo Bathke, diretor-geral da Tintas Verginia. Loja da Tintas Verginia traz sinalização sobre a Certificação B e a adesão da marca ao movimento global de Empresas B. Divulgação. Segundo ele, o que faz todos acreditarem cada vez mais no processo é sensibilizar os colaboradores, mostrar o porquê de cada mudança e trazer referências de quem já trilhou esse caminho com sucesso. Levar profissionais de diferentes áreas às visitas permitiu que cada setor enxergasse de perto como aquelas iniciativas funcionavam em outra operação. Da intenção à gestão Na área de pessoas, a principal mudança foi de método. "Uma coisa é saber que a empresa faz. Outra é conseguir demonstrar, com método e evidências, como aquilo acontece, qual é o resultado e onde ainda precisamos melhorar. A certificação trouxe justamente essa mudança de chaves", acrescenta Nicholas. O que mudou no dia a dia Bathke conta que o impacto foi extremamente positivo: "Junto com a Certificação B vieram outros selos e outras boas práticas, porque ela olha para todo o ecossistema da empresa: o trabalhador, a governança, o meio ambiente". Ao olhar para essas frentes, a empresa apostou em uma pesquisa interna de felicidade e conquistou outros selos de empresa boa para se trabalhar. Essa jornada levou a Tintas Verginia a aprimorar processos, gerar mais qualidade de vida para os colaboradores e construir um ambiente e uma cultura mais saudáveis, com foco em saúde mental, meio ambiente, transparência e governança. Indicadores de pessoas As ações voltadas aos colaboradores passaram a ser acompanhadas por indicadores. A empresa mantém programas de formação de novos consultores, preparação de gestores e desenvolvimento de futuros líderes, além de treinamentos relacionados à diversidade. Somando 2025 e os oito primeiros meses de 2026, foram mais de 13 mil horas de treinamento. A movimentação interna de profissionais também está entre os dados monitorados. Em 2025, 36,11% das movimentações registradas foram promoções internas. Em outras palavras, mais de uma em cada três movimentações representou crescimento de carreira dentro da própria empresa. A diversidade passou a ser igualmente acompanhada por dados. Ao final de 2025, as mulheres ocupavam 19,79% dos cargos de liderança da empresa. Até julho de 2026, o percentual havia chegado a 20,79%. Impacto além da fábrica A responsabilidade assumida pela empresa se estende para fora da operação industrial. Em 2026, até agosto, a Tintas Verginia contabiliza a doação de 4.528 litros de tinta para 35 instituições, beneficiando diretamente cerca de 8.758 pessoas, segundo estimativa da companhia. O investimento aproximado nessas doações chega a R$ 100 mil. Gestão ambiental No campo ambiental, a empresa mantém iniciativas como logística reversa para o descarte de sobras de tinta, compensação de carbono e utilização de energia renovável, entre outras medidas voltadas à gestão ambiental da operação. Ponto de coleta do programa Coleta Colorida recebe sobras de tinta, latas vazias e materiais de pintura nas lojas da Tintas Verginia. Divulgação. A logística reversa é um dos instrumentos previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei 12.305/2010. Ela parte do princípio de que fabricantes e comerciantes também respondem pelo destino dos produtos após o consumo. No caso das tintas, o tema é sensível, porque sobras descartadas no lixo comum ou na rede de esgoto podem contaminar o solo e a água. "Do ponto de vista do cliente, ao escolher uma empresa certificada, ele tem a certeza de que está comprando de uma empresa idônea, que respeita o meio ambiente, que respeita as pessoas como colaboradoras e que tem governança e transparência de verdade. Comprar dessas empresas é acreditar e investir em negócios que estão realmente preocupados em construir um mundo melhor", avalia Bathke. Pioneirismo no setor A Tintas Verginia é a segunda empresa da construção civil a conquistar a certificação e a primeira do mercado de tintas. "Se olharmos para a construção civil de forma ampla, a primeira foi a Vedacit, empresa de impermeabilizantes e produtos técnicos, e nós somos a segunda. No mercado de tintas, somos os primeiros. Vejo isso como pioneirismo, algo que já está na nossa forma de atuar desde o início dessa jornada de Empresa B e de ESG", afirma Bathke. O dado ganha peso em um segmento industrial em que temas como consumo de energia, geração de resíduos e segurança do trabalho estão no centro da gestão. A companhia publica relatórios de sustentabilidade anualmente há cinco anos. De acordo com o diretor-geral, essa também é uma forma de inspirar concorrentes e outros mercados a seguirem o mesmo caminho. "Acreditamos que, com essas boas práticas, conseguimos construir um mundo melhor e mais produtivo". Uma visão de longo prazo Bathke revela que seu sonho, como pessoa e como empresário, é fazer da Tintas Verginia uma empresa centenária. Outras marcas o inspiram nesse sentido, como a Cini, dos refrigerantes, e a Alpargatas. "Já fui até conhecer algumas das empresas mais longevas do mundo, como hospedarias e restaurantes no Japão que existem há mais de 1.300 anos. Essa é uma meta nossa: perpetuar a Tintas Verginia por muitos e muitos anos". Chegar lá é o desafio de todo empresário. O executivo da Tintas Verginia acredita que, com estratégia, planejamento, pessoas e bons parceiros, o caminho é certo. "O mundo está cada vez mais dinâmico, e a gente precisa olhar o planeta com uma visão de longo prazo, mas agindo no curto prazo, se adaptando ao ecossistema". Bathke afirma que o próximo passo da marca ligado à Empresa B e ao ESG é se aprofundar no ciclo de vida dos seus produtos, entendendo em que pontos da cadeia ainda pode gerar impacto. "Também temos uma nova planta e uma nova sede em construção, que vai buscar o selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) de construção sustentável. A própria Certificação B está mudando, com novos requisitos e novas regras: nossa próxima certificação já vai ser em outro patamar, e vamos olhar para o mercado para entender o que também podemos absorver e multiplicar aqui", completa. O LEED é uma certificação internacional criada pelo U.S. Green Building Council. Ela avalia edificações em critérios como eficiência energética, uso racional da água, escolha de materiais e qualidade do ambiente interno. Assim como a Certificação B, exige comprovação técnica em cada etapa, do projeto à operação. Um compromisso contínuo Como o reconhecimento exige recertificação periódica, sua manutenção depende da continuidade das práticas e da evolução dos indicadores avaliados. Por isso, a Tintas Verginia trata a conquista como um novo patamar de exigência interna, que se renova a cada ciclo de avaliação. "Quando pensamos em uma lata de tinta, por exemplo, não podemos olhar apenas para o momento em que ela é vendida. Existe tudo o que acontece antes, durante e depois: as pessoas envolvidas, os recursos utilizados, os resíduos gerados, a relação com a comunidade e o impacto que aquele produto pode produzir", afirma Eduardo Bathke. A campanha A Certificação B foi apresentada ao público por meio de uma campanha multimídia da Tintas Verginia, com presença em rádio, mídia digital, outdoors e conteúdo editorial. Campanha multimídia da Tintas Verginia apresenta a Certificação B ao público com o conceito "Cor é o que fazemos. Mundo é o que cuidamos." Divulgação. A estratégia incluiu uma hora de exibição exclusiva em telas de LED no Distrito de Mídia da Rua Marechal Deodoro, no Centro de Curitiba. O local é conhecido como a "Times Square brasileira" e considerado o primeiro corredor de mídia exterior do país, com grande circulação e visibilidade urbana. A ação conecta a certificação aos espaços e às histórias transformados pela marca e leva para a cidade o que está por trás do reconhecimento empresarial. Para Fabiano de Siqueira, gerente de Marketing da Tintas Verginia, a proposta da campanha é justamente revelar o que existe por trás do selo. "Não queríamos fazer uma campanha apenas para dizer que somos uma empresa certificada. O selo é o ponto de partida para contar uma história maior: o que mudou dentro da empresa para chegarmos até aqui e, principalmente, o que estamos dispostos a continuar mudando", finaliza. Para conhecer as práticas socioambientais, os relatórios de sustentabilidade e a trajetória da Tintas Verginia como Empresa B, acesse https://www.tintasverginia.com.br.